INCONSTÂNCIA
Constantemente
inconstante. Pois é!
Talvez um
adjetivo que se encaixe perfeitamente em mim ou em você. Ou nos outros,
dependendo do teu nível de autocritica. Constantemente nos achamos constantes,
mas geralmente estamos enganados e eu pretendo tentar te explicar o porquê. E
se eu não conseguir é porque provavelmente a minha inconstância já afetou as
linhas e entrelinhas desse texto.
Eu sou
assim, assumo. Até daqui duas taças de vinho, aí não sou mais, só que depois da
dor de cabeça, me torno novamente. Até a terceira música do disco, até o
capítulo 4 do livro, até o quinto acorde do refrão, até a sétima menor da
melodia, até que aquela estrela não esteja mais lá, até a madrugada chegar ou o
inverno passar. Eu sou um inconstante de carteirinha, sócio número do clube.
Diariamente percebo isso até nos pequenos detalhes. No jeito de falar, se
vestir, me comunicar, escrever, ouvir, compor, tocar, estudar, comer e beber e
até nos pequenos detalhes como respirar, olhar as estrelas, pensar no universo,
pisar numa formiga, matar uma mosca. Inconstante pra tomar decisões, definir
projetos, caminhos, processos e até os sonhos. Nem naquilo que quero sonhar eu
consigo ser constante, nem nos meus desejos e muito menos nos sentimentos.
Estou constantemente mudando de opinião, querendo tomar novas atitudes,
arrependido por alguma coisa, instável e apreensivo por conta disso.
Ah!
Inclusive, apreensão e inconstância caminham lado a lado (pelo menos ao meu
lado). Sempre faltou uma frase naquela canção, sempre vai faltar um tópico
naquela reunião, sempre falta alguma coisa, mas sempre parece que não falta
nada.
Começar,
planejar, executar e manter um projeto é sempre uma luta. Como uma fogueira,
que se ascende, consome tudo que chega perto e depois depressivamente se apaga
e nunca mais volta. A inconstância é como esse fogo, em um momento está a todo
vapor, queimando tudo que vê pela frente, mas quando se apaga é totalmente
esquecida e perde toda sua utilidade. Meu cérebro funciona assim,
constantemente inconstante.
Surge uma
ideia! Ela consome toda minha energia, quero fazer acontecer, quero começar,
planejar e colocar pra funcionar ainda hoje, estou completamente concentrado
nisso, mas depois de pouco tempo isso perde seu total significado e a chama
apaga, o interesse se perde como uma brisa que entra pela janela. Assoprou, te
refrescou e sumiu.
Talvez,
assumir isso pra mim mesmo me fez bem, mas sempre que pode ela bate tão forte
no meio da minha cara que me derruba de todos os degraus possíveis. Por isso
mesmo eu digo que talvez tenha sido bom. Eu até hoje não tive algum momento que
ela não esfregou na minha cara todo o seu poder, toda sua potência, dizendo em
alto e bom som na minha mente que está lá, trabalhando a todo vapor, ou
apagando todo vapor da lenha que queima meus neurônios. A Inconstância, que é
diferente do desânimo. Talvez seja da mesma família, mas com poderes
diferentes. Ela te convence de que está certa ou não desiste até que você no mínimo
note o que ela diz.
Esse pode
ser o parágrafo mais difícil desse texto, porque eu pretendo explicar o quanto
eu já me acostumei e dizer que hoje até gosto dela. (HAHA). Como eu vou te
convencer que a inconstância não é completamente ruim? Sinceramente não sei. E
quer saber? Na verdade, eu nem quero te convencer sobre nada. Eu me convenci
que ela faz parte de mim, que diariamente quer ser ouvida e de uma forma ou de
outra faz com que eu saia na minha zona de conforto. Ela tem seus lados ruins,
que inclusive devem ser até maiores que os lados bons, mas eu tive que me
adaptar até pra não surtar de vez.
Se faltou
uma frase na música, escreva de novo.
Se faltou um
tópico na reunião, fale num outro momento.
Se depois da
dor de cabeça causada pelo vinho ela voltou a te atormentar, tome outras 2
taças.
Se a nota
menor da melodia te incomoda, crie uma melodia com notas maiores.
Se o projeto
falhou, jogue os rascunhos no lixo e comece outro.
PORQUE NÃO?
Isso soa como um texto de autoajuda e eu quero muito fugir disso, porém por
mais que pareça piegas e cafona nós não temos outra saída. Quanto mais ficarmos
lamentando, mais ela nos domina.
É irônico
começar o texto assumindo minha inconstância, depois externar vários dos pontos
negativos dela na minha vida, no final dizer que gosto dela e que de alguma
forma ela é necessária pra mim. E por fim, terminar o texto te encorajando a
não deixa-la te dominar. Mas quer saber, isso só me mostra (e mais uma vez me
mostra) o quão inconstante eu sou.
Constantemente
inconstante. Pois é!
A Inconstância, que é diferente do desânimo. Talvez seja da mesma família, mas com poderes diferentes.
ResponderExcluirMuito bom! Muito bom! Eu me peguei meditando, e até um riso nasceu no canto da boca, volto a meditar...
Profundo
ResponderExcluir