3ª PESSOA DO SINGULAR
Ela vicia. É
uma droga pesada, o mosquito com a picada mais doída, o combustível mais
potente...
Diversos adjetivos
que poderiam ser atribuídos a essa paixão de milhares de pessoas espalhadas por
aí. Perambulando entre ruas, avenidas, becos, estações, parques e escritórios com
seus fones de ouvido. Do discreto ao mais extravagante, do mais caro ao mais
simples, juntando qualquer tipo de atividade a ela. Definitivamente ela é uma
forma de arte eterna, com inúmeras possibilidades e que pode estar presente em
todos os momentos da vida de qualquer um, se encaixando em todos os sentimentos
possíveis.
Pra chorar, pra
rir, se arrepiar, dançar, gritar, aplaudir entre outras muitas probabilidades.
Essa arte
com certeza já proporcionou algum momento especial pra cada um de nós. Com absoluta
convicção, afirmo que algum momento que marcou sua vida ela estava lá, porque
já ficou comprovado que ela tem essa força: ETERNIZAR MOMENTOS.
Ela já contribuiu
(e muito) para o desenvolvimento e entretenimento dessa espécie. Já nos
apresentou lendas, gênios e até deuses que atingiram um patamar tão elevado de
domínio, que ficarão marcados na história pra todo sempre.
Mas ela
também anda frustrando muita gente por aí.
Seu poder é
tão grande que atrai muita gente que sonha em se dedicar integralmente a ela,
mas infelizmente não é assim tão fácil.
Ta aí uma
coisa que não sai da minha cabeça: Ela exige muito de nós ou nós estamos
exigindo muito de nós mesmos pelo medo que temos dela? Quantos rascunhos
inacabados existem nas gavetas? Quantas ideias deixadas de lado? Quantos sonhos
abandonados? Quanta frustação e desilusão estão (também) perambulando por aí?
Cada história que pode ser contada por trás de cada fone de ouvido que vemos
por aí, nos revela uma imensidão de sonhos não realizados.
Do
guitarrista que sonhava em ser o novo Hendrix ao violinista que almejava um
lugar na orquestra. Do baterista ao gaitista, do maestro ao percussionista, do
trompetista ao baixista e por aí vai. Aquele que passou anos estudando 12 horas
por dia e também aquele que aprendeu sem fazer nenhuma aula. Aquele que domina
toda teoria por trás de cada harmonia e também aquele que precisa da boa e
velha cifra. Os fones de ouvido espalhados por aí podem contar as mais diversas
histórias.
Eu não domino
nenhum instrumento, mas as vezes me acho baterista, violonista, gaitista,
pianista e guitarrista, mas ao mesmo tempo não sou nada disso aí. Geralmente eu
sou curioso por novas sonoridades, por aprender algo novo, pra conseguir tocar alguma
canção que gosto muito, entretanto eu realmente não posso ser chamado de
músico. Muito disso é culpa minha, talvez a falta de foco quando mais novo não
me deixou escolher um instrumento e seguir com ele até o fim, até me
aperfeiçoar. Talvez a ansiedade me faça querer tocar tudo ao mesmo tempo e pode
ser que eu acabei me tornando o melhor multi-instrumentista ruim das
redondezas. Mas é que a pretensão de fazer dela o meu ganha pão se esfriou
bastante, apesar de ainda dar uma enorme importância a ela em tudo que faço. Mas
o sonho de viver para ela talvez tenha ficado na adolescência.
Quantos de
mim estão espalhados por aí? Quantas histórias parecidas com a minha? Pessoas extremamente
(assim como eu) apaixonadas por ela, mas que precisaram partir para outros
rumos.
Mas não
quero falar sobre mim, quero continuar falando sobre ela, pois ela é muito mais
importante do que qualquer desabafo meu. Não adianta ficar aqui choramingando,
eu passo, você passa, todos nós passamos, mas ela continua e continuará sendo
mais importante que todos nós. Muitos fazem dela um produto e se preocupam
apenas com altos níveis de rentabilidade que ela proporciona. Tudo bem, cada um
tem a liberdade de fazer o que bem entender, mas enquanto existir vida nesse
planeta, ela terá seu espaço e será ouvida, sentida e interpretada como a mais
poderosa expressão artística que o mundo já viu.
Ela pode até
nos frustrar, mas tudo isso faz parte. A gente se acostuma e vive numa boa assim
mesmo, o poder dela é tão grande que a paixão não acaba nunca. Ela continua
sendo nossa droga favorita, continuamos ansiosos esperando pela picada de um
novo mosquito e ansiando cada vez mais por altas doses desse combustível que
nos move até que os adjetivos acabem.
A mesma MÚSICA
que nos derruba é aquela que pode nos ajudar a levantar e seguir adiante.
Ps1. É
irônico pensar que nós temos o hábito de eternizar até os momentos ruins.
Aqueles que gostaríamos de esquecer completamente, mas quando percebemos já traduzimos
esse sentimento em forma de música e vamos passar o resto da vida cantando
sobre eles.
Ps2. Elas
podem até parar nas nossas gavetas ou serem apenas rascunhadas. Pode até ser
aquela que a gente não dá a devida atenção ou o carinho necessário, mas jamais
ela sai da gaveta da nossa mente. O sentimento descarregado naquela canção
esquecida fica pra sempre e esse peso a gente precisa se acostumar a carregar
até o fim.
Felipe
Alecrim.
Pois é, musica e vida se entrelaçam... E assim é nossa caminhada, sempre acompanhada, alguns a assumem como estilo de vida, e outros apenas como entretenimento... mas no fim a música faz a vida se mover!!!
ResponderExcluirMuitas vezes as melodias superam as letras, outras vezes ocorre exatamente o contrário. Fato é que, quando se combinam, é um emaranhado de sentimentos que invadem a alma e que são difíceis de explicar.
ResponderExcluirOuvi alguém disser, não sei quem na verdade nem me interessa; este alguém disse que a música é alimento da alma e se é la que está o melhor e o pior do homem...você está com a razão de chamar droga pois é isso que a drogas fazem, intorpecem e nos mostra o melhor e o pior...
ResponderExcluirNão saberia viver sem as cifras.
Não saberia viver sem música.